Professor: Ari
Aluno: Giancarlo Telles Oliveira
Das correntes e tendências do fenômeno e da educação brasileira:
Questionado a falar sobre três pontos particulares sobre os textos em aula citados e debatidos, não posso deixar de mencionar como sendo o primeiro o fato do problema da educação no Brasil estar, antes de tudo, na classificação e divisão de como a educação brasileira foi fragmentada. No texto do professor Valdemar Sguissardi, este cita um artigo de Maria Ângela Vinagre de Almeida no qual esta divide o Brasil em diversos períodos educacionais. Porém, o período mais recente – Período Modernizador – começa em 1961 e é considerado, pela autora, o mesmo período em que vivemos hoje. Fato que merece discordância visto que a educação atual no Brasil não pode ser comparada com a educação no mesmo país em época de ditadura militar, por exemplo. Este problema é explicitado pelo professor Valdemar Sguissardi e parece ser um ponto referencial para possíveis estudos sobre a educação no nosso país; é necessário, primeiro, catalogar, dividir e interpretar (de maneira correta) as diferentes fases e estados da educação brasileira.
Partindo para o outro texto, de autoria de Dermeval Saviani, este nos relata como, no início da década de vinte, cria-se o “entusiasmo pela educação”, que sustentava uma parcela esquerdista política que via na educação obrigatória e gratuita uma oportunidade de mudanças educacionais. Mas, ao começar a década de trinta, este “entusiasmo pela educação” é substituído pelo “otimismo pedagógico”, que seria uma manobra da política de direita que interviu no intuito de descolar das instituições de ensino essa carga política para uma carga tecno-pedagógica, a fim de quebrar esta força de oposição que começava a ganhar força e destaque. Com isso vemos que, de certa maneira, a preocupação com a educação brasileira ocorre de maneiras tendenciosas para todos os lados, sejam os esquerdistas visando um ensino preocupado essencialmente com mudanças governamentais como com os direitistas preocupados essencialmente em criar moldes educacionais para manter a base do governo sem notáveis mudanças. A questão a se levar em conta é que ambos preocupam-se em modelar a educação visando seus interesses pessoais, ao invés de modelar seus interesses pessoais visando a educação.
Como último ponto a ser levantado, ainda no mesmo texto, é quando este menciona que o problema está na estrutura da educação. Por exemplo, um professor recém-graduado tem um ensino construtivista, mais moderno e atual. Mas, quando contratado para lecionar numa escola pública, o mesmo observa que as estruturas de ensino não permitem que este possa educar da maneira moderna tal como foi preparado para educar, mas de maneira tradicional e ultrapassada para moldes atuais e, devido a este fato, o novo educador acaba desmotivado e sem interesse de expandir e aperfeiçoar a sua aula. Ora, isto é, verdadeiramente, um fato real que metaforiza um câncer na educação do Brasil, porém não pode servir de desculpa para nenhum educador pois estes não podem alegar surpresa, desconhecimento da situação atual precária da educação; os mesmos são advertidos sobre isso o tempo todo, tendo que ao invés de se acomodar e se desmotivar, buscar meios e ferramentas para conseguir aplicar a sua nova didática num ambiente que foi construído para uma outra educação. Esta aí o verdadeiro educador.